Dor Lombar e Movimento.


A região lombar é frequentemente acometida com dor, pois desempenha um papel
importante no suporte de cargas decorrentes do peso corporal, da ação muscular
e de forças externas. 11,9% da população em todo o mundo tem episódios de dor
lombar, sendo 65% de pessoas acometidas anualmente e cerca de 70% a 84% sofrerá
um episódio em algum momento da vida.


Após um primeiro episódio de dor lombar 90% dos casos tem resolutividade
independente do tratamento. Caso não ocorra a resolução, a dor pode induzir um
aprendizado que adapta o comportamento motor diminuindo a variabilidade do
movimento, tornando o tronco mais rígido com ativação e cinemática muscular
mais estereotipada, o indivíduo passa a escolher inconscientemente estratégias
motoras para evitar a provocação da dor, essa adaptação gera efeitos mecânicos,
neurológicos e psicológicos secundários contribuindo com a persistência da dor
lombar No modelo de Medo e Evitação da Dor, a dor pode ser interpretada como
algo não ameaçador e o indivíduo tende a manter suas atividades habituais; ou é
interpretada de maneira catastrófica, desenvolve-se o medo relacionado a dor e
um comportamento de evitação e hipervigilância da movimentação. Há na
literatura registro sobre o uso de intervenções com o objetivo de modificar a crença
de medo e evitação da dor e reduzir ou prevenir a incapacidade, mas os
resultados são controversos.

Em resumo, medo de se movimentar gera mais dor, a melhor coisa a fazer ao sentir
um primeiro episódio de dor lombar é buscar movimento em uma atividade física
que lhe dê prazer pra que não se inicie o ciclo medo- evitação- dor.


 Almeida CCV,



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